Discurso do Papa Francisco aos Diáconos da diocese de Roma, com as família (19/6/2021)

Caros irmãos e irmãs: bom dia e bem-vindos! Obrigado pela visita.
Agradeço as vossas palavras e os vossos testemunhos. Saúdo o Cardeal Vigário, todos vós e as vossas famílias. Alegro-me que tu, Justino, tenhas sido nomeado Diretor da Caritas: olhando para ti penso que crescerá, tu tens o dobro da estatura do Padre Ben. Avante! [riem, aplausos]. Alegro-me também pelo facto de a Diocese de Roma ter retomado o antigo costume de confiar uma igreja a um diácono para que se torne uma Diaconia, como fez contigo, caro André, num bairro popular da cidade. Saúdo-te com afeto e à tua mulher Laura. Espero que não acabes como São Lourenço, mas vai em frente! [riem].
Uma vez que me perguntastes o que é que eu espero dos diáconos de Roma, dir-vos-ei algumas coisas, como faço frequentemente quando vos encontro e me demoro com dois dedos de conversa com algum de vós.
Comecemos refletindo um pouco sobre o ministério do diácono. A estrada principal a percorrer é a indicada pelo II Concílio do Vaticano, que entendeu o diaconado como «grau próprio e permanente da hierarquia». A Lumen Gentium, depois de ter descrito a função dos presbíteros como participação na função sacerdotal de Cristo, ilustra o ministério dos diáconos, «aos quais – diz – são impostas as mãos não para o sacerdócio mas para o serviço» (n. 29). Esta diferença não é de pouca importância. O diaconado, que na conceção precedente era reduzido a uma ordem de passagem para o sacerdócio, readquire, assim, o seu lugar e a sua especificidade. Já o mero facto de sublinhar esta diferença ajuda a superar a praga do clericalismo, que coloca uma casta de sacerdotes “acima” do Povo de Deus. Este é o núcleo do clericalismo: uma casta sacerdotal “acima” do Povo de Deus. E se não se resolver isto, o clericalismo continuará na Igreja. Os diáconos, precisamente porque dedicados ao serviço deste Povo, recordam que no corpo eclesial ninguém se pode elevar acima dos outros.
Na Igreja deve vigorar a lógica oposta, a lógica do abaixamento. Todos somos chamados a abaixar-nos, porque Cristo se abaixou, fez-se servo de todos. Se há alguém grande na Igreja é Ele, que se fez o mais pequeno e o servo de todos. E tudo começa a partir daqui, como nos recorda o facto de o diaconado ser a porta de entrada na Ordem. E fica-se sempre diácono. Lembremo-nos, por favor, que sempre, para os discípulos de Jesus, amar é servir e servir é reinar. O poder está no serviço, em mais nada. E como tu recordaste o que eu digo, que os diáconos são os guardas do serviço da Igreja, por conseguinte pode dizer-se que são os guardas do verdadeiro “poder” na Igreja, para que ninguém vá além do poder do serviço. Pensai nisto.
O diaconado, seguindo a estrada principal do Concílio, conduz-nos, assim, ao centro do mistério da Igreja. Tal como falei de «Igreja constitutivamente missionária» e de «Igreja constitutivamente sinodal», assim digo que deveremos falar de «Igreja constitutivamente diaconal». Efetivamente, se não se vive esta dimensão do serviço todos os ministérios se esvaziam a partir de dentro e tornam-se estéreis, não dão fruto. E, pouco a pouco, mundanizam­‑se. Os diáconos recordam à Igreja que é verdade aquilo que Santa Teresinha descobriu: A Igreja tem um coração ardente de amor. Sim, um coração humilde que palpita de serviço. Os diáconos recordam-nos isto quando, como o diácono São Francisco, levam aos outros a proximidade de Deus sem se imporem, servindo com humildade e alegria. A generosidade de um diácono que se gasta sem procurar as primeiras filas tem perfume de Evangelho, conta a grandeza da humildade de Deus que dá o primeiro passo – sempre. Deus dá sempre o primeiro passo – para ir ao encontro até de quem lhe voltou as costas.
Hoje temos de estar atentos também a outro aspeto. A diminuição do número dos presbíteros levou a um empenhamento predominante dos diáconos em funções de suplência que, por importantes que sejam, não constituem o específico do diaconado. São funções de suplência. O Concílio, depois de ter falado do serviço ao Povo de Deus «na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade», sublinha que os diáconos estão sobretudo – sobretudo – «dedicados aos ofícios da caridade e da administração» (Lumen Gentium, 29). A frase remete para os primeiros séculos, quando os diáconos se ocupavam em nome e por conta do Bispo das necessidades dos fiéis, particularmente dos pobres e dos doentes. Podemos ir beber também às raízes da Igreja de Roma. Não penso apenas em São Lourenço, mas também na opção de dar vida às diaconias. Na grande metrópole imperial organizaram-se sete lugares, distintos das paróquias e distribuídos nos municípios da cidade, em que os diáconos desempenhavam um trabalho capilar em favor de toda a comunidade cristã, particularmente dos “últimos”, para que, como dizem os Atos dos Apóstolos, ninguém entre eles sofresse necessidade (cf. 4, 34).
Por isso em Roma procurou-se recuperar esta antiga tradição com a diaconia na Igreja de Santo Estanislau. Sei que estais bem presentes também na Caritas e noutras realidades próximas dos pobres. Fazendo assim nunca perdereis a bússola: os diáconos não serão “meio padres” ou padres de segunda divisão, nem “meninos de coro de luxo”. Não. Nessa estrada não se avança. Serão servos solícitos que se esforçam para que ninguém seja excluído e o amor toque concretamente a vida das pessoas. Em definitivo, poderia resumir-se em poucas palavras a espiritualidade diaconal, isto é, a espiritualidade do serviço: disponibilidade dentro e abertura fora. Disponíveis dentro, de coração, prontos ao sim, dóceis, sem fazer girar a vida em torno da agenda pessoal; e abertos fora, com o olhar dirigido a todos, sobretudo a quem ficou fora, a quem se sente excluído. Li ontem uma passagem do P. Orione, que falava do acolhimento aos necessitados, e dizia: «Nas nossas casas – falava aos religiosos da sua congregação – nas nossas casas deve ser acolhido quem quer que tenha uma necessidade, qualquer tipo de necessidade, qualquer coisa, quem tenha alguma dor». Gosto disto. Receber não só os necessitados, mas também quem tem uma dor. Ajudar esta gente é importante. Confio-vos isto.
Acerca do que espero dos diáconos de Roma, acrescento ainda três breves ideias – mas não vos assusteis: estou já a terminar – que não vão no sentido das “coisas a fazer”, mas das dimensões a cultivar. Em primeiro lugar, espero que sejais humildes. É triste ver um bispo e um padre que se pavoneiam, mas ainda é mais triste ver um diácono que se quer colocar no centro do mundo, ou no centro da liturgia, ou no centro da Igreja. Humildes. Todo o bem que fazeis seja um segredo entre vós e Deus. E assim dará fruto.
Em segundo lugar, espero que sejais bons esposos e bons pais. E bons avós. Isto dará esperança e consolação aos casais que estão a viver momentos de cansaço e que encontrarão na vossa simplicidade genuína uma mão estendida. Poderão pensar: «Repara no nosso diácono! Está contente por estar com os pobres, mas também com o pároco e até com os filhos e com a mulher!». Até com a sogra, é muito importante. Fazer tudo com alegria, sem queixas: é um testemunho que vale mais do que muitas pregações. E fora com as lamentações. Sem se lamentar: «Tive tanto trabalho, tanto…». Nada. Engoli [mandai para baixo] estas coisas. Fora. O sorriso, a família, abertos à família, a generosidade…
Por fim, terceira [coisa], espero que sejais sentinelas: não só que saibais avistar os distantes e os pobres – isto não é muito difícil – mas que ajudeis a comunidade cristã a avistar Jesus nos pobres e nos distantes, enquanto bate às nossas portas através deles. É uma dimensão também, diria, catequética, profética, da sentinela-profeta-catequista que sabe ver além e ajudar os outros a ver além, e ver os pobres, que estão distantes. Podeis fazer vossa aquela bela imagem que está no final dos Evangelhos, quando Jesus, de longe, pede aos seus: «Não tendes nada para comer?». E o discípulo amado reconhece-o e diz: «É o Senhor!» (Jo 21, 5.7). Em qualquer necessidade, ver o Senhor. Assim também vós avistais o Senhor quando, em tantos dos seus irmãos mais pequenos pede para ser alimentado, acolhido e amado. Aqui tendes. Gostaria que fosse este o perfil dos diáconos de Roma e de todo o mundo. Trabalhai nisto. Vós tendes generosidade e ide avante com isto.
Agradeço-vos por aquilo que fazeis e por aquilo que sois e peço-vos, por favor, que continueis a rezar por mim. Obrigado.

Aula da bênção, sábado, 19 de junho de 2021

O diácono como ministro do serviço e da proximidade na Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes

Realizou-se na noite de 20 de abril, por meios telemáticos, a Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes, sob a presidência de D. Manuel Linda, bispo do Porto. Estiveram presentes 54 diáconos. A Assembleia versou sobre o tema O diácono permanente, ministro do serviço e da proximidade, o título do texto provisório de um documento da Conferência Episcopal Portuguesa, que a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios submeteu à auscultação dos diáconos permanentes em Portugal. Os diáconos do Porto corresponderam a essa auscultação numa sessão de trabalhos de grupos realizada online no início de fevereiro, depois de duas semanas de reflexão individual sobre o texto. Com as conclusões desses trabalhos foi redigido um relatório pelo P. Adélio Abreu, delegado episcopal para o diaconado permanente, entregue em devido tempo à referida Comissão. Entendeu o bispo do Porto que a Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes deste ano pudesse ter por base a reflexão produzida pelos diáconos portucalenses, não já para corresponder ao pedido de auscultação, mas para uma partilha das conclusões entre todos, refletindo assim sobre os caminhos do diaconado no Porto.
Depois de alguma troca informal de palavras, a sessão iniciou-se com a invocação do Espírito Santo e uma palavra de saudação de D. Manuel Linda, que se alegrou com a possibilidade de o encontro poder realizar-se, apesar do contexto pandémico. Seguiu-se a apresentação pelo P. Adélio Abreu do relatório da auscultação, dando assim a conhecer aos diáconos a síntese enviada. A Assembleia prosseguiu com a apresentação dos textos conclusivos dos trabalhos dos quatro grupos pelos seus porta-vozes (acesso aos textos aos diáconos permanentes do Porto em área reservada). Foi evidenciado nas várias apresentações o agrado com o facto de a Conferência Episcopal ter decidido pronunciar-se sobre o diaconado permanente, assim como a possibilidade dada aos diáconos de emitirem opinião sobre o texto provisório e darem sugestões para a sua melhoria. Foram também indicados os aspetos positivos do texto, assim como outros que construtivamente foram objeto de um olhar mais crítico, designadamente no que reporta a um défice de adesão à realidade portuguesa do diaconado, tanto no que se refere à sua evolução até ao presente, como à sua perspetivação em função do contexto pastoral em que vivemos e à conveniência do documento poder usar as prerrogativas que os documentos da Santa Sé deixam às conferências Episcopais de concretizarem o que respeita ao exercício do ministério diaconal e ao processo de discernimento e de formação para o diaconado. Emergiram nas conclusões dos diáconos portucalenses também algumas temáticas decorrentes da sua própria experiência diaconal, nomeadamente no que toca às famílias dos diáconos, à sensibilização das paróquias e dos párocos para o exercício do ministério diaconal, ao melhor aproveitamento do diaconado na pastoral diocesana e às situações de vulnerabilidade dos diáconos permanentes.
Num dos textos dos grupos, foi glosada uma expressão do texto provisório - «Cristo é o diácono do Pai» - que pode ser inspiradora para a vida espiritual dos diáconos permanentes: «Cristo é diácono do Pai porque se submete à vontade deste, mesmo se a missão é difícil (Pai afasta de mim este cálice, mas…); é diácono do Pai, porque faz da caridade e da palavra as suas grandes armas; é diácono do Pai, porque se faz pequeno e serve os mais pequenos, os pobres e rejeitados, porque anda com eles, come com eles, porque não os rejeita seja qual for a sua condição ou pecado; é diácono do Pai, porque os seus gestos, qual liturgia, curam e libertam;: é diácono do Pai, porque se ajoelha perante os seus discípulos; é diácono do Pai, porque permanece em silêncio perante os “Pilatos”… A espiritualidade diaconal só pode beber da diaconia de Cristo. É n’Ele que encontraremos a nossa espiritualidade específica».
À apresentação das conclusões dos grupos, seguiu-se um tempo de diálogo entre os presentes, tendo tomado a palavra os que a pediram. O melhor aproveitamento do diaconado na vida pastoral da diocese terá sido o tema que foi dando unidade às intervenções.
Por fim, D. Manuel Linda tomou a palavra para a intervenção final. Alegrou-se com a seriedade e profundidade da reflexão dos diáconos do Porto e reconheceu que também a aproveitou para algumas das suas sugestões no quadro da discussão do documento na Conferência Episcopal, que veio a ser aprovado na sua última Assembleia Plenária e cuja publicação se aguarda. D. Manuel aproveitou a intervenção final para refletir sumariamente sobre dois aspetos: a colaboração dos diáconos permanentes na implementação de um melhor serviço pastoral de atendimento e escuta; a integração conjunta, atendendo à diversidade de situações e possibilidades, do diácono e da esposa no trabalho paroquial. A sessão concluiu-se com a oração de Completas.

Diáconos permanentes, aspirantes, candidatos encontram-se no termo do ano pastoral

Decorreu na tarde de sábado, 4 de julho, o convívio geral do diaconado permanente que habitualmente encerra as atividades do ano pastoral. Trata-se de uma atividade que se vem realizando anualmente com um papel significativo na dinâmica do diaconado permanente. Para além de proporcionar um momento de encontro e convívio informal entre os diáconos, com o bispo diocesano, permite que as famílias dos diáconos possam também encontrar-se. Junta-se ainda a possibilidade de encontro entre os diáconos e aqueles que se encontram em formação – aspirantes e candidatos – e as respetivas famílias. Nalguns anos tem também sido ocasião de proximidade do diaconado permanente às comunidades cristãs, habitualmente comunidades que contam com algum diácono ao seu serviço. 
A presente crise pandémica alterou os projetos iniciais de realizar o convívio final presencialmente com a eucaristia seguida de lanche-convívio partilhado. Foi realizada, contudo, uma sessão à distância que procurou cumprir os objetivos do convívio, ainda que não integralmente, e que permitiu apresentar as conclusões dos trabalhos de grupo de preparação da Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes agendada para março passado e entretanto suspensa devido à pandemia. Versaram esses trabalhos sobre «A iniciação cristã na missão do diácono permanente: realidade e desafios», o tema indicado pelo bispo diocesano para a dita Assembleia. 
Depois de uma saudação inicial de D. Manuel Linda, bispo do Porto, e do P. Adélio Abreu, delegado diocesano para o diaconado permanente, que juntou algumas informações sobre o andamento das atividades ao longo do ano, houve um momento informal de apresentação dos candidatos e aspirantes em formação e de partilha de um ou outro assunto que alguns diáconos colocaram à consideração dos restantes. Seguiu-se a referida exposição das conclusões dos trabalhos dos três grupos, da qual emergiram várias sugestões e pontos de reflexão, entres os quais os seguintes: o acolhimento pelas comunidades das famílias que vêm pedir o batismo para os filhos e também daqueles que procuram a iniciação cristã de adultos; o acompanhamento do crescimento na fé no seguimento da celebração do batismo; a participação dos diáconos não apenas na liturgia batismal, mas em toda a pastoral da iniciação cristã; a constituição de equipas de pastoral do batismo que integrem também diáconos permanentes; a organização de itinerários de formação querigmática e mistagógica e de preparação próxima para o batismo; a formação de batizados adultos que não percorreram uma conveniente iniciação cristã; a sugestão de iniciativas tendentes a fazer memória do batismo. Após a apresentação dos trabalhos de grupo, alguns diáconos prolongaram a reflexão enriquecendo os dados decorrentes dos trabalhos. Também se partilharam experiências paroquiais de organização da pastoral batismal com a participação de diáconos. 
Seguiu-se a intervenção de D. Manuel Linda, bispo do Porto, com algumas palavras sobre o diaconado, designadamente as relativas à participação dos diáconos nalgumas atividades, entre as quais a celebração de ordenações diaconais habitualmente realizadas a 8 de dezembro. No seu entender, essa celebração deveria contar com a participação dos diáconos da diocese no seu conjunto. Ainda sobre o diaconado, sublinhou o seu papel no âmbito da caridade e da evangelização, partindo daí para a reflexão sobre a sua participação no processo de iniciação cristã. Reclamando-se a evangelização à Igreja no seu todo, mais se pede aos ministros ordenados e entre eles aos diáconos. D. Manuel sublinhou a específica capacidade que os diáconos têm no campo da evangelização, nomeadamente pelos seus ambientes de inserção familiar, profissional e cívica. Os diáconos têm uma envolvente de referências mentais de família que lhes permite compreender aqueles que chegam, ajudando-os a caminhar na fé. O bispo do Porto sublinhou ainda o papel do diácono enquanto ministro da celebração do sacramento do batismo, remetendo, contudo, para o necessário discernimento de acordo com as circunstâncias locais. A celebração do sacramento não deixa de ser um momento privilegiado para os párocos se encontrarem com pessoas e famílias que só esporadicamente de abeiram da Igreja. Os diáconos devem, contudo, também acompanhar os adultos no quadro da sua iniciação cristã. Dos resultados das conclusões dos trabalhos de grupo, D. Manuel sublinhou dois aspetos: a importância de um bom acolhimento na aproximação à fé; a iniciação como integração na vida comunitária. Aludiu posteriormente a alguns setores da pastoral diocesana que se encontram a descoberto e que se podem colocar à missão dos diáconos, nomeadamente a pastoral em contexto prisional e hospitalar e a pastoral da caridade, na qual são relevantes na Diocese do Porto as Conferências de São Vicente de Paulo e a Caritas. Pediu expressamente aos diáconos que, em diálogo com o pároco, integrem, animem e ajudem a desenvolver estes setores tão adstritos ao ministério diaconal. A última palavra de D. Manuel serviu para constatar a baixa participação dos diáconos nas suas próprias atividades, por vezes menos de um terço, e apelar à melhoria dessa participação. Ao nível dos diáconos, seria muito importante aprofundar a noção de “família” que constituem, expressa também na presença nas suas atividades. 
O encontro concluiu-se com a oração de Vésperas e a despedida de todos. A iniciativa revelou-se uma boa oportunidade de encontro e de partilha, só ensombrada pela baixa participação. Aos aspirantes e candidatos, juntaram-se 22 diáconos dos 99 que a diocese tem atualmente ao seu serviço.

Ciclo "Diaconado: Ministério e Missão. Nos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto"

A 26 de abril de 1992 foram ordenados na Sé do Porto os primeiros 18 diáconos permanentes da diocese. Em 2017, cumpriram-se 25 anos sobre esse momento significativo da vida da Igreja do Porto.
Nesta ocasião, o Diaconado Permanente da Diocese do Porto e o Centro de Cultura Católica (CCC) promoveram nas instalações do CCC, entre janeiro e março de 2017, um ciclo de conferências aberto a toda a comunidade diocesana subordinado ao tema Diaconado: Ministério e Missão. Nos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto. Foi uma oportunidade não só para os diáconos permanentes refletirem sobre o seu ministério, mas também para a comunidade diocesana o poder conhecer e compreender melhor.
O ciclo, programado a partir da «participação diaconal do único e tríplice múnus de Cristo no ministério ordenado» (Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes, nn. 22-42), contou agendadas as seguintes conferências:

- 3 de janeiro, 21 h.: Diaconado e Diaconia da Caridade, por José Maria Gonçalves Fabião (Reitor da Igreja da Trindade e Assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral Social e Caritativa e da Caritas Diocesana). Fotos da sessão

- 7 de fevereiro, 21 h.: Diaconado e Diaconia da Liturgia, por João da Silva Peixoto (Pároco de Ermesinde e Diretor do Secretariado Diocesano de Liturgia). Fotos da sessão

- 7 de março, 21 h.: Diaconado e Diaconia da Palavra, por Manuel Monteiro Mendes (Pároco de Matosinhos e Assistente do Secretariado Nacional da Pastoral Familiar). Fotos da sessão

Disponibilizamos os textos das conferências publicados na revista diocesana Igreja Portucalense n. 44 (2017).





Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes avalia o diaconado no Porto

Realizou-se a 2 de abril, na Casa Diocesana de Vilar, entre as 19 e as 23.30 horas, a Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes, presidida por D. Manuel Linda, Bispo do Porto, subordinada ao tema O Diaconado Permanente na Diocese do Porto: Uma avaliação. Estiveram presentes cerca de 60 diáconos permanentes, dos 98 diáconos com que a diocese conta atualmente. 
A sessão iniciou-se com a celebração da Eucaristia, em cuja homilia D. Manuel associou ao comentário dos textos bíblicos um apelo aos diáconos para que se empenhem na pastoral vocacional, designadamente no que se refere à vocação sacerdotal. Seguiu-se o jantar, uma oportunidade de encontro, partilha e convívio.
Os trabalhos da Assembleia iniciaram-se pelas 21.30 h. com uma palavra de abertura de D. Manuel Linda que agradeceu a presença e sublinhou ser este o seu primeiro encontro com o corpo diaconal portucalense enquanto tal. De seguida, o P. Adélio Abreu proferiu uma breve intervenção subordinada ao tema Diaconado Permanente na Diocese do Porto: Situação para uma avaliação. Evocou o percurso do diaconado permanente no Porto, desde o itinerário de formação para as primeiras ordenações em 1992 até ao presente, detalhando particularmente o processo formativo empreendido a partir de 2007, que, com alguns ajustes, continua a vigorar. Por fim, na busca de um perfil, caraterizou sumariamente quanto ao número, à idade, à formação académica de base, à formação teológica, à distribuição geográfica e aos contextos de missão os diáconos permanentes portucalenses. A diocese conta presentemente com 98 diáconos permanentes, 14 ordenados em 1992 e 84 entre 2010 e 2017, a serviram maioritariamente em contexto paroquial, distribuídos por todas as vigararias da diocese, com exceção de Felgueiras, mas com prevalência na região Pastoral do Grande Porto e na Região Pastoral Sul. A distribuição etária é bastante equitativa por décadas entre os 40 e os 80 anos, encontrando-se 17% dos diáconos acima dos 75 anos de idade. Relativamente à escolaridade de base, a análise incidiu apenas sobre os diáconos ordenados a partir de 2010: 36% têm formação superior, 38% o ensino secundário e 26% o 9º ano de escolaridade. No que respeita à formação teológica, esta analisada para a totalidade dos diáconos, 19,4% têm formação superior em teologia ou ciências religiosas, 67,3% o curso de teologia do Centro de Cultura Católica e 13,3% o itinerário formativo organizado especificamente como preparação para as ordenações de 1992.
Seguiram-se as intervenções dos porta-vozes dos grupos de trabalho que, a 12 de março, em contexto de formação permanente, tinham reunido para prepararem a Assembleia e avaliarem o diaconado na diocese, tendo por base uma grelha elaborada a partir de um texto do Prefeito da Congregação do Clero subordinado ao tema O diácono permanente: Identidade, formação e missão, trabalhado ao longo do ano pastoral. Não sendo possível detalhar nos limites destas linhas a riqueza e a seriedade do trabalho realizado e da partilha que proporcionou, foi sublinhado o potencial evangelizador do diaconado permanente, nem sempre bem aproveitado, não só em contexto paroquial, mas também enquanto “ministério do limiar”, em áreas pastorais nas fronteiras da comunidade eclesial com o mundo. Particularmente relevante é na vocação diaconal a relação entre os sacramentos da ordem e do matrimónio, potenciadora de uma atividade pastoral com conhecimento de causa, designadamente na pastoral familiar, mas também a exigir um discernimento equilibrado entre o empenho na vida pastoral e o tempo necessário à vida familiar. No que respeita à formação teológica de base, entendeu-se globalmente ser vantajosa a opção pela formação superior em teologia ou ciências religiosas, em contexto universitário, se bem que alertando para a necessidade de apoio económico para a frequência da mesma e para o imprescindível discernimento sobre a manutenção ou não de um itinerário alternativo que inclua no acesso ao diaconado aqueles a quem não seja realista pedir a frequência de formação superior. Referiu-se também a importância do cuidado na seleção dos candidatos, segundo o perfil referido pelo magistério e decorrente das exigências da missão, e não apenas como uma recompensa pelos largos anos de dedicação paroquial. Também se atendeu às exigências da formação permanente e à necessária atenção à vida espiritual, com uma referência ao acompanhamento espiritual e à participação nos retiros. No que à missão se refere, emergiu o quanto o desenvolvimento de atividades pastorais concretas depende do modo como o pároco, sob cuja orientação cada diácono se encontra, entende o diaconado permanente. Sob este aspeto, conviria favorecer iniciativas formativas sobre o diaconado que também envolvessem os párocos que contam com diáconos nomeados para o serviço pastoral. Acrescentou-se ainda a pertinência duma melhor especificação dos mandatos em sede de nomeação.
Após um tempo de intervenções espontâneas dos presentes, D. Manuel Linda encerrou a Assembleia, agradecendo o trabalho de avaliação realizado, referindo a conveniência da divulgação duma síntese do mesmo e mencionando que os diáconos foram os primeiros a serem ouvidos no processo de avaliação em curso.