Assembleia Diocesana de Diáconos refletiu sobre «os contextos de exercício do ministério diaconal»

No dia 6 de maio de 2026, a Casa Diocesana de Vilar acolheu a Assembleia do Diaconado Permanente da Diocese do Porto, encontro que reuniu diáconos e párocos para uma reflexão sobre o tema: «Os contextos de exercício do ministério diaconal: refletindo sobre os “lugares de missão”». Os trabalhos tiveram como ponto de partida textos de referência sobre o diaconado, testemunhos provenientes de diversas geografias e contributos teológicos, nomeadamente de Alphonse Borras, permitindo uma leitura mais ampla, crítica e situada dos desafios atuais deste ministério.
A Assembleia iniciou-se com a celebração da Eucaristia, presidida por Sua Excelência Reverendíssima D. Manuel Linda, Bispo do Porto. Na homilia, D. Manuel Linda convidou os diáconos a serem agentes “insubstituíveis” na renovação da Diocese, sublinhando que o ministério diaconal se concretiza na proximidade, na escuta e no serviço aos mais pobres e às famílias em dificuldade. Recordando a origem bíblica do “serviço às mesas”, apelou ainda a que sejam rosto da caridade e portadores de esperança nas comunidades, no caminho sinodal que a Diocese iniciará no próximo dia de Pentecostes.
A abertura da Assembleia esteve a cargo do Senhor Cónego Adélio Abreu, Delegado Episcopal para o Diaconado Permanente, que enquadrou o encontro num espírito de gratidão pela missão confiada aos diáconos e pela presença de D. Manuel Linda.
Referiu que estavam participantes 41 diáconos e 10 párocos, num universo de 95 diáconos que integram o Diaconado Permanente da Diocese do Porto, tendo esclarecido que os párocos presentes corresponderam ao convite e não a uma convocatória formal.
A reflexão da Assembleia teve por base o trabalho preparatório realizado a 14 de abril, por 19 diáconos, segundo o método da “conversação no Espírito”. A partir desse contributo, e com apoio em referências teológicas e pastorais sobre o diaconado, nomeadamente na reflexão de Alphonse Borras, foi sublinhada a necessidade de aprofundar a identidade própria deste ministério. Foi destacado que o diaconado tem uma missão própria na Igreja, centrada no anúncio do Evangelho, no serviço da caridade e na proximidade às comunidades, não devendo ser entendido apenas como apoio litúrgico, ajuda paroquial ou substituição dos presbíteros.
Os trabalhos prosseguiram com a apresentação dos resultados dos grupos preparatórios, que deram conta das principais reflexões e testemunhos recolhidos. No centro das intervenções esteve a necessidade de consolidar o diaconado permanente na Diocese do Porto, afirmando a sua identidade própria, não como mera ajuda aos párocos ou resposta funcional às necessidades pastorais, mas como ministério ordenado ao serviço da Palavra, da Liturgia e da Caridade.
Foi igualmente destacada a importância de clarificar a missão dos diáconos, reforçar a articulação com os párocos e valorizar a sua presença nas comunidades, nas novas fronteiras da missão e junto dos contextos humanos mais afastados da vida eclesial, em sintonia com o caminho sinodal da Diocese.
Nesse sentido, o diácono foi apresentado como “ponte entre o altar e a rua”, chamado a ligar a Eucaristia à vida concreta das pessoas através da escuta, da comunhão e da caridade. O ministério diaconal foi, assim, entendido como presença servidora da Igreja, chamada a aproximar, incluir e acompanhar, tornando visível a dimensão missionária e fraterna da comunidade cristã.
Após diversas intervenções e testemunhos, D. Manuel Linda encerrou a Assembleia, manifestando apreço pela seriedade e profundidade da reflexão realizada e valorizando o contributo dos diáconos permanentes na vida da Diocese, sublinhando que participam nos grandes acontecimentos diocesanos em “pé de igualdade” com os sacerdotes. Manifestou ainda abertura para acolher novas propostas de missão, incentivando-os a discernir âmbitos concretos onde possam exercer, de forma mais específica, a sua vocação de serviço.
Fernando Almeida
Diácono

Textos preparatórios (área reservada).
Textos das intervenções (área reservada).







Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes reflete sobre o diaconado, um ministério da esperança e da gratuidade

«O ministério do diácono, ponte entre a igreja e o mundo, pode tornar presente […] Cristo servo que cura cada ferida e se inclina perante cada fragilidade. ”Reparador sacramental da Igreja”, o diácono torna-se ministro da esperança» (Francesco D’Alfonso).

No passado dia 7 de maio, a Casa de Vilar acolheu a Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes, antecipada pela celebração da Eucaristia e pelo jantar. O diaconado, um ministério da esperança e da gratuidade foi o tema proposto para a reflexão deste ano.
A Assembleia foi preparada anteriormente pelos diáconos que, divididos em grupos de trabalho e seguindo a metodologia do “Diálogo no Espírito” usada no último Sínodo, refletiram sobre o tema escolhido. Presidiu-a o Sr. D. Joaquim Dionísio, bispo auxiliar do Porto, e contou ainda com a presença dos alguns párocos das comunidades servidas pelos diáconos.
Após a saudação inicial, pelo Cónego Adélio Abreu, foram partilhados testemunhos de dois diáconos que participaram no Jubileu dos Diáconos, em Roma, de 21 a 23 de fevereiro de 2025, evento que reuniu diáconos permanentes e suas famílias, oriundos de diversas partes do globo, e do qual foram relevados momentos de oração, catequese, convívio e partilha de experiências.
Entrou-se depois no cerne da Assembleia com a apresentação das conclusões dos grupos de trabalho. Nela, o ministério diaconal foi descrito como um testemunho de esperança e a ação diaconal, tanto no interior da Igreja quanto na sociedade, como promotor de proximidade e de escuta das necessidades dos fiéis e caracterizado pela gratuidade e humildade, sendo essencial para a missão da Igreja, que se quer aberta e capaz de alcançar as periferias.
Os diáconos são chamados a viver a gratuidade do amor de Deus, especialmente nas situações de marginalização e exclusão. A missão diaconal envolve estar presente em momentos de sofrimento e solidão, oferecendo uma presença fiel e perseverante. Este compromisso com os mais vulneráveis foi visto como uma expressão concreta do amor e da esperança cristãos.
Para superar os desafios significativos que a ação diaconal enfrenta, foi proposto, como essencial, a promoção de uma cultura pastoral que aborde este ministério na sua totalidade. Isso inclui «uma pastoral de comunhão, que não tenha medo de abrir novas frentes de serviço; uma pastoral de saída, que confie nos diáconos como representantes da ternura de Deus nas situações concretas; e uma pastoral da esperança, onde a presença do diácono seja um sinal de que Deus continua a visitar o seu povo».
Além disso, foi enfatizada a importância da formação contínua e integral dos diáconos. A fecundidade do seu ministério depende, também, de uma preparação adequada que abranja tanto a dimensão espiritual quanto a prática pastoral. Uma Igreja mais sinodal e solidária exige diáconos bem formados e comprometidos com a sua missão.
Por último o Sr. D. Joaquim Dionísio, após expressar a sua alegria e o agradecimento pelo encontro, exortou os diáconos a reconhecerem-se como dom e a esforçarem-se por ser bênção, a colocarem sempre em primeiro lugar a dimensão relacional (e não a funcional), a procurar ser sempre “segundos” com a consciência de que o “primeiro” é Deus, manifesto nos irmãos.

António Avelino Luís
Diácono







Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes aborda a complementaridade entre diáconos e presbíteros

O diaconado «é um ministério essencial e constitutivo para a vida e missão da Igreja, junto com o ministério do presbítero». Estas palavras de Serena Noceti, trazidas a debate por um dos grupos de diáconos intervenientes, talvez possam alicerçar, condensar e traduzir o profícuo diálogo e pensamento gerados nesta assembleia.

«A complementaridade ministerial entre diáconos e presbíteros: realidade(s) e oportunidades», foi o tema e o mote do encontro, que se quer meta para o diaconado diocesano.
Os diáconos reuniram-se em assembleia, ao redor do seu Bispo – este ano com a presença fraterna dos párocos das comunidades que têm ao seu serviço diáconos permanentes – no dia de 17 de abril de 2024, na Casa de Vilar. É de relevar, assim o manifestou D. Manuel Linda, a qualidade do mesmo e a elevada adesão de diáconos e presbíteros.
Após uma contextualização proferida pelo Delegado Episcopal para o Diaconado Permanente, Pe Adélio, foram apresentadas as conclusões das reflexões previamente feitas, por três grupos de trabalho, às quais se seguiu o testemunho de alguns dos presbíteros presentes. Destas reflexões e testemunhos destacamos resumidamente o seguinte: a “complementaridade” é uma «característica intrínseca» do sacramento da ordem e uma das que tornam compreensíveis o mesmo sacramento nos seus vários graus. O diaconado é mais bem compreendido – e melhor encontrará o seu espaço de ação – se for perspetivado a partir do olhar dos padres conciliares que afirmaram a unidade e a centralidade do sacramento da ordem no grau do episcopado (Cf. LG,21), do qual dimanam os restantes graus. Do ministério do Bispo brotam, distintas, unidas e complementares, as funções ad sacerdotium e ad ministerium. O presbiterado e o diaconado são expressões da plenitude da sacramentalidade episcopal afirmada no Concílio Vaticano II. O diácono não pode, assim, “ser feito à medida do presbítero”, mas gerado à medida da plenitude, diversa e complementar, do sacramento da ordem. O presbítero e o diácono «complementam-se e não se sobrepõem e perante os desafios que hoje são colocados à sociedade em geral e à Igreja em particular, essa complementaridade será primordial para que as comunidades encontrem na igreja a resposta e o acolhimento que anseiam».
A complementaridade é uma realidade dinâmica que permanentemente exige diálogo, reflexão, proximidade, abertura, compreensão, humildade, criatividade… E porque realidade exigente na qual nem sempre estamos focados, o quotidiano pastoral de alguns diáconos é marcado pela dificuldade. Mas se o caminho é longo e tem obstáculos, também longo é o caminho já percorrido e muitos são os obstáculos já superados. Foi com este tom, animado e esperançado, de D. Manuel Linda, que se deu por concluída a assembleia.

António Avelino Luís
Diácono








Assembleia diocesana de diáconos permanentes refletiu sobre o diaconado na conversão pastoral da paróquia

Realizou-se na noite de 28 de março de 2023, terça-feira, na Casa Diocesana de Vilar, a Assembleia diocesana de diáconos permanentes, presidida pelo Senhor D. Manuel Linda, Bispo do Porto. Estiveram presentes 37 diáconos permanentes. A assembleia teve início, às 19 horas, com a celebração da Eucaristia, seguida do jantar e do encontro dos diáconos com o seu bispo.
O encontro iniciou-se com uma curta intervenção do Dr. Adélio Abreu, delegado episcopal para o diaconado permanente, que enquadrou o tema proposto para a Assembleia: «O diaconado permanente na conversão pastoral da paróquia». A sua formulação nasce da instrução da Congregação para o Clero de 2020, «A conversão pastoral da comunidade paroquial ao serviço da missão evangelizadora da Igreja». Este documento, conjuntamente outros dois recursos, serviu de base a reunião preparatória, ocorrida a 7 de março. Aí foram constituídos três grupos de trabalho e foi definido o convite a três diáconos para, na Assembleia, darem o seu testemunho, quanto ao modo como têm desenvolvido o seu trabalho pastoral na paróquia.
A assembleia prosseguiu com a apresentação dos três testemunhos. O diácono António Abreu partilhou a sua experiência do trabalho pastoral desenvolvido na Unidade Pastoral do Vale do Odres e Tâmega, constituída no verão de 2020. Da sua participação nesta experiência identificou diversos pontos positivos e um conjunto de barreiras que contribuíram para que os objetivos não tenham sido atingidos, resultando, na extinção da referida unidade pastoral, em setembro de 2022.
O diácono Arnaldo Azevedo, ao serviço da paróquia de Ermesinde, estruturou o seu testemunho em três pontos – acolhimento, integração e missão – e realçou o modo como foi acolhido pelo seu pároco e por toda a comunidade, bem como o seu trabalho nos vários sectores pastorais e designadamente na pastoral da família.
O diácono João Fonseca identificou dois tempos no seu ministério diaconal em Arouca. O primeiro, de 2011 a 2016, foi de “formação prática”, marcado, na relação com o seu pároco, pela proximidade e pelo serviço pastoral à comunidade. O segundo, a partir desse ano, foi assinalado inicialmente por dificuldades e por um sucessivo discernimento para encontrar o seu caminho em contexto paroquial e vicarial, designadamente num contexto de comunidades pequenas e dispersas, onde sobressai o seu serviço na pastoral do domingo.
Concluída a apresentação dos testemunhos, passou-se à leitura das reflexões produzidas pelos grupos de trabalho. O diácono Hélder Pacheco, como porta-voz do seu grupo, referiu que a paróquia tem de ser uma opção credível para a sociedade e, nesse contexto, o diácono, sendo alguém que vive as mesmas alegrias e as tristezas, medos e anseios, que os seus irmãos leigos, está em melhores condições para os entender e ajudar, junto dos presbíteros e do bispo, a encontrar as respostas que o Povo de Deus procura. Para isso é importante que, aos diáconos, seja dado o seu verdadeiro lugar na vida pastoral e que ao mesmo tempo estes saibam qual é o seu lugar.
O diácono António Avelino, em nome do seu grupo, descreveu a realidade atual que caracteriza a paróquia no contexto da Igreja em Portugal. Os contornos pouco definidos das paróquias e o papel e lugar do diácono nelas favorecem o germinar de questões a resolver. Evidenciou três tentações que podem constituir barreiras à contribuição do diaconado para a renovação paroquial – o clericalismo, o funcionalismo e as expectativas – e identificou alguns caminhos: ‘promover a apoiar as atividades apostólicas dos leigos; suscitar serviços e ministérios no seio das comunidades; promover contactos de proximidade, que combatam o anonimato das relações e das grandes celebrações; ajudar o presbítero na compreensão da realidade plural do seu povo.
O diácono Fernando Oliveira, pelo seu grupo, evidenciou a diversidade pastoral das paróquias urbanas e rurais, bem como os distintos tipos de relação entre os diáconos e os párocos. Se há casos de abertura à comunhão ministerial, plena partilha, colaboração e cooperação, outros há que contrastam com elas. Sugeriu que a atividade ministerial do diácono e o seu grau de realização fosse objeto de avaliação periódica.
Por fim, D. Manuel Linda usou da palavra para agradecer a partilha, considerando que todos excederam as expectativas. A curta reflexão que produziu deu cabal sentido à expressão que usou na homilia da Eucaristia a que presidiu: «Ver na justa medida». Referiu-se à diferente tipologia de paróquias, à reflexão em curso em torno das unidades pastorais, ao espírito de colaboração entre presbíteros e diáconos, à reconfiguração eclesial em tempos de mudança. Depois, concluiu o encontro com uma oração mariana.
Será publicada, na revista diocesana «Igreja Portucalense», uma síntese mais detalhada dos trabalhos da Assembleia, que também será disponibilizada, juntamente com os vários textos, na página web do diaconado portucalense. 

Francisco Bártolo
Diácono

Veja-se também a crónica mais desenvolvida que o Diác. Francisco Bártolo publicou na revista diocesana Igreja Portucalense n. 61 (2023).

Diaconado Permanente: natureza e missão. Algumas achegas à guisa de testemunho pessoal

A 26 de abril de 1992 cumpriram-se 30 anos sobre as primeiras ordenações de diáconos permanentes na diocese do Porto. A revista diocesana Igreja Portucalense assinalou o acontecimento com um texto do Diác. António Poças, um dos ordenados.

 

Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes sobre o Sínodo dos bispos e a sinodalidade na Igreja

Realizou-se na noite de 29 de março, na Casa Diocesana de Vilar, a Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes, sob a presidência de D. Manuel Linda, Bispo do Porto. Estiveram presentes 25 diáconos. A Assembleia foi integralmente destina à apresentação das conclusões das sessões de consulta sobre a sinodalidade na Igreja.
Depois de alguma troca informal de palavras, a sessão iniciou-se com a oração pelo Sínodo: Adsumus Sancte Spiritus. Oração atribuída a Santo Isidoro de Sevilha, oração tradicionalmente utilizada nos concílios e nos sínodos ao longo dos séculos. A atual versão foi especificamente concebida para o caminho sinodal da Igreja de 2021 a 2023.
Seguiu-se uma curta intervenção do P. Adélio Abreu, delegado episcopal para o diaconado permanente, congratulando-se por ser possível, ainda que com limitações imposta nesta fase da pandemia devida à COVID-19, o regresso às reuniões na forma presencial. Deu a conhecer a justificação de ausência de oito diáconos e evocou a memória de dois colegas diáconos que partiram para a casa do Pai – Abel Carneiro e Augusto Maia.
A circunstância de o plano de formação permanente para os diáconos ter sido elaborado em sintonia com o Plano Diocesano possibilitou desde muito cedo o tratamento da sinodalidade na Igreja por parte do diaconado portucalense: a fase diocesana da consulta sinodal teve início a 17 de outubro de 2021 e a 9 de novembro ocorria a formação orientada pelo P. Sérgio Leal subordinada ao tema A sinodalidade como estilo para uma permanente conversão pastoral.
Seguidamente apresentou a metodologia utilizada para a realização da consulta sinodal, a qual passou pela realização de três reuniões, via meios telemáticos. Reuniões realizadas nos dias 18 de janeiro, 22 de fevereiro e 8 de março e nas quais participaram um total de 45 diáconos desta diocese. Foram constituídos quatro grupos de trabalho, cada um deles com um coordenador e um secretário. Os trabalhos tiveram por base os dez núcleos temáticos fornecidos pela Comissão Sinodal. Cada grupo elaborou um relatório que foi apresentado nesta assembleia. Foi criada uma equipa que, com base nos relatórios, elaborará a síntese a ser enviada à Comissão Sinodal do Porto.
A Assembleia prosseguiu com a apresentação dos textos conclusivos dos trabalhos dos quatro grupos pelos seus porta-vozes. À apresentação das conclusões dos grupos, seguiu-se um tempo de diálogo entre os presentes, tendo tomado a palavra todos os que a solicitaram.
Por fim, D. Manuel Linda usou da palavra. Agradeceu a partilha realizada. Alegrou-se com a seriedade e profundidade da reflexão dos diáconos do Porto. D. Manuel aproveitou a intervenção final para refletir, ainda que sumariamente, sobre o Sínodo. A sinodalidade foi, é e terá de ser a forma de trabalhar em Igreja, fundamentada na Palavra de Deus e numa profunda espiritualidade, num caminho de corresponsabilidade. Manifestou a convicção de que o Sínodo produzirá frutos e abrirá caminhos que não é possível antever na sua totalidade. Foi assim com os documentos do II Concílio do Vaticano que ultrapassaram largamente o teor dos documentos preparatórios. Foi assim com a Amoris Laetitia. O Espírito de Deus encarregar-se-á de gerar esse impulso renovador. Neste sentido apelou a que nunca se ceda ao pecado do desânimo, sendo certo que todos temos consciência que se atravessa uma época de reconfiguração da Igreja. Finalmente lançou o desafio, na pessoa de todos os presentes, a que vivamos uma profunda espiritualidade alicerçada num otimismo excecional à imagem do Papa Francisco.
A sessão conclui-se com a oração de Completas.

Diác. Francisco Bártolo

Discurso do Papa Francisco aos Diáconos da diocese de Roma, com as família (19/6/2021)

Caros irmãos e irmãs: bom dia e bem-vindos! Obrigado pela visita.
Agradeço as vossas palavras e os vossos testemunhos. Saúdo o Cardeal Vigário, todos vós e as vossas famílias. Alegro-me que tu, Justino, tenhas sido nomeado Diretor da Caritas: olhando para ti penso que crescerá, tu tens o dobro da estatura do Padre Ben. Avante! [riem, aplausos]. Alegro-me também pelo facto de a Diocese de Roma ter retomado o antigo costume de confiar uma igreja a um diácono para que se torne uma Diaconia, como fez contigo, caro André, num bairro popular da cidade. Saúdo-te com afeto e à tua mulher Laura. Espero que não acabes como São Lourenço, mas vai em frente! [riem].
Uma vez que me perguntastes o que é que eu espero dos diáconos de Roma, dir-vos-ei algumas coisas, como faço frequentemente quando vos encontro e me demoro com dois dedos de conversa com algum de vós.
Comecemos refletindo um pouco sobre o ministério do diácono. A estrada principal a percorrer é a indicada pelo II Concílio do Vaticano, que entendeu o diaconado como «grau próprio e permanente da hierarquia». A Lumen Gentium, depois de ter descrito a função dos presbíteros como participação na função sacerdotal de Cristo, ilustra o ministério dos diáconos, «aos quais – diz – são impostas as mãos não para o sacerdócio mas para o serviço» (n. 29). Esta diferença não é de pouca importância. O diaconado, que na conceção precedente era reduzido a uma ordem de passagem para o sacerdócio, readquire, assim, o seu lugar e a sua especificidade. Já o mero facto de sublinhar esta diferença ajuda a superar a praga do clericalismo, que coloca uma casta de sacerdotes “acima” do Povo de Deus. Este é o núcleo do clericalismo: uma casta sacerdotal “acima” do Povo de Deus. E se não se resolver isto, o clericalismo continuará na Igreja. Os diáconos, precisamente porque dedicados ao serviço deste Povo, recordam que no corpo eclesial ninguém se pode elevar acima dos outros.
Na Igreja deve vigorar a lógica oposta, a lógica do abaixamento. Todos somos chamados a abaixar-nos, porque Cristo se abaixou, fez-se servo de todos. Se há alguém grande na Igreja é Ele, que se fez o mais pequeno e o servo de todos. E tudo começa a partir daqui, como nos recorda o facto de o diaconado ser a porta de entrada na Ordem. E fica-se sempre diácono. Lembremo-nos, por favor, que sempre, para os discípulos de Jesus, amar é servir e servir é reinar. O poder está no serviço, em mais nada. E como tu recordaste o que eu digo, que os diáconos são os guardas do serviço da Igreja, por conseguinte pode dizer-se que são os guardas do verdadeiro “poder” na Igreja, para que ninguém vá além do poder do serviço. Pensai nisto.
O diaconado, seguindo a estrada principal do Concílio, conduz-nos, assim, ao centro do mistério da Igreja. Tal como falei de «Igreja constitutivamente missionária» e de «Igreja constitutivamente sinodal», assim digo que deveremos falar de «Igreja constitutivamente diaconal». Efetivamente, se não se vive esta dimensão do serviço todos os ministérios se esvaziam a partir de dentro e tornam-se estéreis, não dão fruto. E, pouco a pouco, mundanizam­‑se. Os diáconos recordam à Igreja que é verdade aquilo que Santa Teresinha descobriu: A Igreja tem um coração ardente de amor. Sim, um coração humilde que palpita de serviço. Os diáconos recordam-nos isto quando, como o diácono São Francisco, levam aos outros a proximidade de Deus sem se imporem, servindo com humildade e alegria. A generosidade de um diácono que se gasta sem procurar as primeiras filas tem perfume de Evangelho, conta a grandeza da humildade de Deus que dá o primeiro passo – sempre. Deus dá sempre o primeiro passo – para ir ao encontro até de quem lhe voltou as costas.
Hoje temos de estar atentos também a outro aspeto. A diminuição do número dos presbíteros levou a um empenhamento predominante dos diáconos em funções de suplência que, por importantes que sejam, não constituem o específico do diaconado. São funções de suplência. O Concílio, depois de ter falado do serviço ao Povo de Deus «na diaconia da liturgia, da palavra e da caridade», sublinha que os diáconos estão sobretudo – sobretudo – «dedicados aos ofícios da caridade e da administração» (Lumen Gentium, 29). A frase remete para os primeiros séculos, quando os diáconos se ocupavam em nome e por conta do Bispo das necessidades dos fiéis, particularmente dos pobres e dos doentes. Podemos ir beber também às raízes da Igreja de Roma. Não penso apenas em São Lourenço, mas também na opção de dar vida às diaconias. Na grande metrópole imperial organizaram-se sete lugares, distintos das paróquias e distribuídos nos municípios da cidade, em que os diáconos desempenhavam um trabalho capilar em favor de toda a comunidade cristã, particularmente dos “últimos”, para que, como dizem os Atos dos Apóstolos, ninguém entre eles sofresse necessidade (cf. 4, 34).
Por isso em Roma procurou-se recuperar esta antiga tradição com a diaconia na Igreja de Santo Estanislau. Sei que estais bem presentes também na Caritas e noutras realidades próximas dos pobres. Fazendo assim nunca perdereis a bússola: os diáconos não serão “meio padres” ou padres de segunda divisão, nem “meninos de coro de luxo”. Não. Nessa estrada não se avança. Serão servos solícitos que se esforçam para que ninguém seja excluído e o amor toque concretamente a vida das pessoas. Em definitivo, poderia resumir-se em poucas palavras a espiritualidade diaconal, isto é, a espiritualidade do serviço: disponibilidade dentro e abertura fora. Disponíveis dentro, de coração, prontos ao sim, dóceis, sem fazer girar a vida em torno da agenda pessoal; e abertos fora, com o olhar dirigido a todos, sobretudo a quem ficou fora, a quem se sente excluído. Li ontem uma passagem do P. Orione, que falava do acolhimento aos necessitados, e dizia: «Nas nossas casas – falava aos religiosos da sua congregação – nas nossas casas deve ser acolhido quem quer que tenha uma necessidade, qualquer tipo de necessidade, qualquer coisa, quem tenha alguma dor». Gosto disto. Receber não só os necessitados, mas também quem tem uma dor. Ajudar esta gente é importante. Confio-vos isto.
Acerca do que espero dos diáconos de Roma, acrescento ainda três breves ideias – mas não vos assusteis: estou já a terminar – que não vão no sentido das “coisas a fazer”, mas das dimensões a cultivar. Em primeiro lugar, espero que sejais humildes. É triste ver um bispo e um padre que se pavoneiam, mas ainda é mais triste ver um diácono que se quer colocar no centro do mundo, ou no centro da liturgia, ou no centro da Igreja. Humildes. Todo o bem que fazeis seja um segredo entre vós e Deus. E assim dará fruto.
Em segundo lugar, espero que sejais bons esposos e bons pais. E bons avós. Isto dará esperança e consolação aos casais que estão a viver momentos de cansaço e que encontrarão na vossa simplicidade genuína uma mão estendida. Poderão pensar: «Repara no nosso diácono! Está contente por estar com os pobres, mas também com o pároco e até com os filhos e com a mulher!». Até com a sogra, é muito importante. Fazer tudo com alegria, sem queixas: é um testemunho que vale mais do que muitas pregações. E fora com as lamentações. Sem se lamentar: «Tive tanto trabalho, tanto…». Nada. Engoli [mandai para baixo] estas coisas. Fora. O sorriso, a família, abertos à família, a generosidade…
Por fim, terceira [coisa], espero que sejais sentinelas: não só que saibais avistar os distantes e os pobres – isto não é muito difícil – mas que ajudeis a comunidade cristã a avistar Jesus nos pobres e nos distantes, enquanto bate às nossas portas através deles. É uma dimensão também, diria, catequética, profética, da sentinela-profeta-catequista que sabe ver além e ajudar os outros a ver além, e ver os pobres, que estão distantes. Podeis fazer vossa aquela bela imagem que está no final dos Evangelhos, quando Jesus, de longe, pede aos seus: «Não tendes nada para comer?». E o discípulo amado reconhece-o e diz: «É o Senhor!» (Jo 21, 5.7). Em qualquer necessidade, ver o Senhor. Assim também vós avistais o Senhor quando, em tantos dos seus irmãos mais pequenos pede para ser alimentado, acolhido e amado. Aqui tendes. Gostaria que fosse este o perfil dos diáconos de Roma e de todo o mundo. Trabalhai nisto. Vós tendes generosidade e ide avante com isto.
Agradeço-vos por aquilo que fazeis e por aquilo que sois e peço-vos, por favor, que continueis a rezar por mim. Obrigado.

Aula da bênção, sábado, 19 de junho de 2021