Ciclo "Diaconado: Ministério e Missão. Nos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto"

A 26 de abril de 1992 foram ordenados na Sé do Porto os primeiros 18 diáconos permanentes da diocese. Em 2017, cumpriram-se 25 anos sobre esse momento significativo da vida da Igreja do Porto.
Nesta ocasião, o Diaconado Permanente da Diocese do Porto e o Centro de Cultura Católica (CCC) promoveram nas instalações do CCC, entre janeiro e março de 2017, um ciclo de conferências aberto a toda a comunidade diocesana subordinado ao tema Diaconado: Ministério e Missão. Nos 25 anos do diaconado permanente na Igreja do Porto. Foi uma oportunidade não só para os diáconos permanentes refletirem sobre o seu ministério, mas também para a comunidade diocesana o poder conhecer e compreender melhor.
O ciclo, programado a partir da «participação diaconal do único e tríplice múnus de Cristo no ministério ordenado» (Diretório do Ministério e da Vida dos Diáconos Permanentes, nn. 22-42), contou agendadas as seguintes conferências:

- 3 de janeiro, 21 h.: Diaconado e Diaconia da Caridade, por José Maria Gonçalves Fabião (Reitor da Igreja da Trindade e Assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral Social e Caritativa e da Caritas Diocesana). Fotos da sessão

- 7 de fevereiro, 21 h.: Diaconado e Diaconia da Liturgia, por João da Silva Peixoto (Pároco de Ermesinde e Diretor do Secretariado Diocesano de Liturgia). Fotos da sessão

- 7 de março, 21 h.: Diaconado e Diaconia da Palavra, por Manuel Monteiro Mendes (Pároco de Matosinhos e Assistente do Secretariado Nacional da Pastoral Familiar). Fotos da sessão

Disponibilizamos os textos das conferências publicados na revista diocesana Igreja Portucalense n. 44 (2017).





Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes avalia o diaconado no Porto

Realizou-se a 2 de abril, na Casa Diocesana de Vilar, entre as 19 e as 23.30 horas, a Assembleia Diocesana de Diáconos Permanentes, presidida por D. Manuel Linda, Bispo do Porto, subordinada ao tema O Diaconado Permanente na Diocese do Porto: Uma avaliação. Estiveram presentes cerca de 60 diáconos permanentes, dos 98 diáconos com que a diocese conta atualmente. 
A sessão iniciou-se com a celebração da Eucaristia, em cuja homilia D. Manuel associou ao comentário dos textos bíblicos um apelo aos diáconos para que se empenhem na pastoral vocacional, designadamente no que se refere à vocação sacerdotal. Seguiu-se o jantar, uma oportunidade de encontro, partilha e convívio.
Os trabalhos da Assembleia iniciaram-se pelas 21.30 h. com uma palavra de abertura de D. Manuel Linda que agradeceu a presença e sublinhou ser este o seu primeiro encontro com o corpo diaconal portucalense enquanto tal. De seguida, o P. Adélio Abreu proferiu uma breve intervenção subordinada ao tema Diaconado Permanente na Diocese do Porto: Situação para uma avaliação. Evocou o percurso do diaconado permanente no Porto, desde o itinerário de formação para as primeiras ordenações em 1992 até ao presente, detalhando particularmente o processo formativo empreendido a partir de 2007, que, com alguns ajustes, continua a vigorar. Por fim, na busca de um perfil, caraterizou sumariamente quanto ao número, à idade, à formação académica de base, à formação teológica, à distribuição geográfica e aos contextos de missão os diáconos permanentes portucalenses. A diocese conta presentemente com 98 diáconos permanentes, 14 ordenados em 1992 e 84 entre 2010 e 2017, a serviram maioritariamente em contexto paroquial, distribuídos por todas as vigararias da diocese, com exceção de Felgueiras, mas com prevalência na região Pastoral do Grande Porto e na Região Pastoral Sul. A distribuição etária é bastante equitativa por décadas entre os 40 e os 80 anos, encontrando-se 17% dos diáconos acima dos 75 anos de idade. Relativamente à escolaridade de base, a análise incidiu apenas sobre os diáconos ordenados a partir de 2010: 36% têm formação superior, 38% o ensino secundário e 26% o 9º ano de escolaridade. No que respeita à formação teológica, esta analisada para a totalidade dos diáconos, 19,4% têm formação superior em teologia ou ciências religiosas, 67,3% o curso de teologia do Centro de Cultura Católica e 13,3% o itinerário formativo organizado especificamente como preparação para as ordenações de 1992.
Seguiram-se as intervenções dos porta-vozes dos grupos de trabalho que, a 12 de março, em contexto de formação permanente, tinham reunido para prepararem a Assembleia e avaliarem o diaconado na diocese, tendo por base uma grelha elaborada a partir de um texto do Prefeito da Congregação do Clero subordinado ao tema O diácono permanente: Identidade, formação e missão, trabalhado ao longo do ano pastoral. Não sendo possível detalhar nos limites destas linhas a riqueza e a seriedade do trabalho realizado e da partilha que proporcionou, foi sublinhado o potencial evangelizador do diaconado permanente, nem sempre bem aproveitado, não só em contexto paroquial, mas também enquanto “ministério do limiar”, em áreas pastorais nas fronteiras da comunidade eclesial com o mundo. Particularmente relevante é na vocação diaconal a relação entre os sacramentos da ordem e do matrimónio, potenciadora de uma atividade pastoral com conhecimento de causa, designadamente na pastoral familiar, mas também a exigir um discernimento equilibrado entre o empenho na vida pastoral e o tempo necessário à vida familiar. No que respeita à formação teológica de base, entendeu-se globalmente ser vantajosa a opção pela formação superior em teologia ou ciências religiosas, em contexto universitário, se bem que alertando para a necessidade de apoio económico para a frequência da mesma e para o imprescindível discernimento sobre a manutenção ou não de um itinerário alternativo que inclua no acesso ao diaconado aqueles a quem não seja realista pedir a frequência de formação superior. Referiu-se também a importância do cuidado na seleção dos candidatos, segundo o perfil referido pelo magistério e decorrente das exigências da missão, e não apenas como uma recompensa pelos largos anos de dedicação paroquial. Também se atendeu às exigências da formação permanente e à necessária atenção à vida espiritual, com uma referência ao acompanhamento espiritual e à participação nos retiros. No que à missão se refere, emergiu o quanto o desenvolvimento de atividades pastorais concretas depende do modo como o pároco, sob cuja orientação cada diácono se encontra, entende o diaconado permanente. Sob este aspeto, conviria favorecer iniciativas formativas sobre o diaconado que também envolvessem os párocos que contam com diáconos nomeados para o serviço pastoral. Acrescentou-se ainda a pertinência duma melhor especificação dos mandatos em sede de nomeação.
Após um tempo de intervenções espontâneas dos presentes, D. Manuel Linda encerrou a Assembleia, agradecendo o trabalho de avaliação realizado, referindo a conveniência da divulgação duma síntese do mesmo e mencionando que os diáconos foram os primeiros a serem ouvidos no processo de avaliação em curso.